Covid-19: Tempo de esperar e cumprir

Agora pouco importam as estatísticas, as análises, as origens da pandemia, as análises sistemáticas. Deixemos isso para quem faz ciência, para quem tem o objectivo de tirar as conclusões devidas desta inusitada e revoltante situação. 

Agora é tempo de agir. Tratar aqueles que precisam, tentar minimizar o impacto comunitário da pandemia, tentar que o Mundo possa ser de novo aquilo que gostamos o mais cedo possível…

Será pedir muito que se gaste um pouco de tempo para se ganhar em qualidade? Será que podemos prescindir de alguma qualidade de vida para dar tempo aos serviços de saúde?

Começam a aparecer nomes conhecidos nas nossas unidades, porque o Covid-19 não escolhe apenas desconhecidos. Se o deixarmos percorrer o seu caminho sem acatar os conselhos daqueles que conhecem a realidade do terreno e as provas científicas da evolução desta doença todos teremos alguém conhecido infectado. Um amigo, um pai, uma mãe, um irmão, um filho… Nesse momento, iremos lamentar o facilitismo. Aquela saída desnecessária, a corrida que é uma novidade na nossa vida, uma ida ao supermercado quando não precisamos de comprar nada ou até o aluguer de um cão para poder passear (!). 

Já não somos apenas um país. A globalização transformou o planeta numa superfície única e, neste caso, numa amostra ímpar de quão rápido pode viajar uma epidemia. 

É tempo de ter paciência, de não festejar cedo de mais as pequenas conquistas, de não fazer experiências ou demonstrar aquele rebelde latente que vive em cada um de nós. 

É tempo de esperar, cumprir e ter esperança. 

Para mim, agora, é tempo de dormir. Daqui a pouco há mais. 

Fernando Miguel Santos

Enfermeiro de Cuidados Intensivos

Suíça

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