Uma pandemia de estupidez

Pensei que a participação em dois programas da SIC iria facilitar as coisas. Ajudaria mais gente com mais exposição daquilo que se está a passar no país onde desempenho a minha profissão e onde há mais recursos financeiros e humanos do que em Portugal.

Contudo, não foi só isso que aconteceu. Em alguns plataformas de redes sociais começaram a surgir as críticas. 

Estava preparado para que alguém me dissesse que o meu objectivo era o protagonismo. Todos somos protagonistas da nossa vida, mas sabia que essa acusação poderia surgir. Antecipei-a até em conversa com alguns amigos. Porém, não esperava os insultos.

A incredulidade de alguns em relação aos meus alertas, somados à falta de compreensão, à falta de inteligência e à falta de bom senso deram origem a esta estranha e negativa surpresa. 

O objectivo de ajudar aqueles que falam português, seja em Portugal seja na Suíça, acabou por ficar enevoado com indecências, falta de decoro, ignorância e muita, mesmo muita, estupidez. 

Na vida, todos somos ignorantes sobre algo. Ninguém sabe tudo, nem ninguém nunca saberá tudo. Ou seja, ignorantes somos todos; estúpido só é quem quer. 

Este tipo de atitudes não me limitará nos objectivos nem nas minhas práticas. A melhor forma de responder à estupidez é lutar contra ela em silêncio, deixando que o nosso trabalho grite o que nós não dizemos. 

Este texto é uma dessas tentativas. Faz parte do alerta que tenho vindo a partilhar, pois é notório que são o medo, a ignorância e a estupidez os responsáveis por uma parte substancial do crescimento desta pandemia. 

Não quero que este texto seja partilhado. Não quero que este texto dê motivo de satisfação a quem tenta desestabilizar uma luta já de si tão ingrata. Quero que este texto seja lido por aqueles que normalmente me lêem, por aqueles que querem ser ajudados. Do resto se encarregará o tempo, porque o resto é resto e disso não passa.

Obrigado a todos pelas mensagens de apoio. Têm para mim um valor inestimável e são o combustível ideal para quem está longe daqueles que ama. 

Continuarei sempre disponível para aqueles que precisarem de mim, seja numa cama de hospital, seja pela necessidade de esclarecimento. 

Os valores que os meus pais me transmitiram e todos os livros que até hoje li ensinaram-me algo sobre as correntes contrárias: quanto maior é a oposição, mais fortes temos de ser a remar. No fim a corrente contrária passa, mas a força que entretanto desenvolvemos fica para sempre.

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