Efemérides comparativas sobre a Liberdade e a boa memória

1933, Alemanha. Um político critica a República dizendo que é preciso fundar uma nova.

2020, Portugal. Um político critica a República dizendo que é preciso fundar uma nova.

1933, Alemanha. Depois de ter liderado um partido com poucos militantes e com um nome sensacionalista, um político faz crescer a base de apoiantes graças a dizer, não a verdade, mas o que os alemães queriam ouvir.

2020, Portugal. Depois de ter criado um partido com poucos militantes e com um nome sensacionalista, um político faz crescer a base de apoiantes graças a dizer, não a verdade, mas o que os portugueses queriam ouvir.

1933, Alemanha. A propanga política tem efeito nas mentes mais susceptíveis que começam a acreditar que descredibilizar o sistema é ser diferente. Pelos menos muda-se, terão pensado alguns. Este homem diz as verdades, terão dito outros. Ele veio para salvar-nos da corrupção e do regime, terão afirmado os demais.

2020, Portugal. A propanga política tem efeito nas mentes mais susceptíveis que começam a acreditar que descredibilizar o sistema é ser diferente. Pelos menos muda-se, terão pensado alguns. Este homem diz as verdades, terão dito outros. Ele veio para salvar-nos da corrupção e do regime, terão afirmado os demais.

1933, Alemanha. Um político usa uma crise económica e de valores para se aproveitar da fragilidade de toda uma nação para crescer.

2020, Portugal. Um político usa uma crise económica, sanitária e de valores para se aproveitar da fragilidade de toda uma nação para crescer.

1933, Alemanha. Um partido usa a liberdade democrática para discriminar minorias étnicas.

2020, Portugal. Um partido usa a liberdade democrática para discriminar minorias étnicas.

A História é útil se não for esquecida.

Hitler foi eleito democraticamente, fundou uma “nova república” a que chamou III Reich e fez os corruptos que o precederam parecerem meninos de coro. Goebbels teria usado o Facebook e o YouTube com frases polémicas e teria adorado a notoriedade de Hitler como comentador de futebol.

Hitler usou imensas verdades sobre a crise do seu país para abrir caminho à maior mentira política da História da Humanidade. Começou, como gostava de se gabar, com sete militantes. Sete. Não enchiam as cervejarias por onde disseminavam o seu ódio primordial.

Usava o discurso das minorias supostamente beneficiadas (os judeus, principalmente) para criar um inimigo público. Mein Kempf, A Minha Luta, é um livro que através de algumas verdades esconde uma intenção de domínio e de desprezo execrável pela vida humana.

Tudo isto poderia constar de um manual sobre como criar uma ditadura.

A Leste da Europa temos ditaduras de esquerda. Do outro lado do Atlântico dois exemplos de nacionalismo de direita. Na Europa os partidos extremistas começam a ter assento parlamentar.

Como numa contagiante pandemia, tudo começa numa pessoa, passando pelos radicais pioneiros que a levantam em ombros quais Messias, chegando aos incautos e crédulos que só querem ter fé numa vida melhor.

Vamos mesmo deixar que isto volte a acontecer diante dos nossos olhos?

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