Viajar mede-se em sentimentos

Texto publicado originalmente no blog https://modaestyle.com.pt/viajar-mede-se-em-sentimentos/

O quotidiano é uma revelação constante. A avaliação que fazemos de cada um dos que se cruzam connosco também o é. Jogamos interiormente com experiências passadas, preconceitos aos quais não conseguimos fugir e tendências que gostamos de acompanhar.

Continuamos a ser individuais e únicos, mas também semelhantes. A cada cruzamento de olhares acrescentamo-nos uma experiência. As ideias mudam, as intenções evoluem e somos cada vez mais.

Viajar é, por isso, uma forma de estar que se estabeleceu entre nós. Uns viajarão para coleccionar vivências, outros para guardar fotografias, mas independentemente da forma não evitamos a mudança.

A humanidade é, por si só, um desfile diante dos nossos olhos. Há novos panos, onde tecemos palavras nunca ouvidas; há novos olhares que nos tocam desconhecidos; há novas formas que nos invadem indelevelmente.

As pontes que construímos entre os mundos são mais robustas. Ficamos mais fortes a cada vínculo que assinamos com uma viagem. Podemos percorrer milhas de voo ou passos da nossa rua, mas viajar mede-se em sentimentos.

Somos avaliados pelo que vestimos, pelo que comemos, pelas métricas que cumprimos, mas as viagens deixam-nos imunes ao lado negro desses julgamentos. Vestimo-nos com algo que nunca imaginamos, comemos insectos que antes nos arrepiavam e deixamo-nos levar pelo infindável mundo que afinal temos dentro de nós.

Quando chegamos à pista de aterragem que nos viu partir somos o fiel depositário de tudo o que vamos guardar. Quer queiramos, quer não, sê-lo-emos para sempre, porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Fernando Miguel Santos

Guilherme e os Duendes

capa

Decidi escrever um novo conto de Natal. Comecei por libertar aquelas amarras com que, por vezes, tentamos recriar o realismo. Baptizei as personagens com os primeiros nomes que me surgiram e alguns são bem estranhos. Fledik, Yordik, Taldik e Uldrik. Quatro duendes, ajudantes do Pai Natal, que compõem o coro mais bonito que possam imaginar. Neste conto, cantam para Guilherme, o menino que é a estrela da história.

A capa, muito mais bonita do que aquela que eu teria idealizado, foi criada pela Filipa Cardoso.

Como o Natal não se faz sem amor ao próximo, decidi oferecer metade do valor de capa para o Instituto Português de Oncologia. Faço uso das novas tecnologias e das suas vantagens. Não há intermediários. Há apenas a vontade de ser lido e de dar.

O preço do ebook (livro em formato electrónico) é de 2€, mas o pagamento é decidido pelos leitores. Independentemente do valor que escolheres, apenas 1€ é retido para registo da obra, ISBN e para promover outras actividades relacionadas com a iniciativa.

É uma história pequenina que me deu muito gosto criar. Relê-la, aquando da revisão do texto, foi para mim uma experiência sentimental, apesar de ter sido eu a criá-la e a dar-lhe o fim que tem. O Natal também é isto: criar e sentir.

Para vocês e para o IPO, Guilherme e os Duendes.