A escrita sempre foi o meu maior sonho. Fazer das minhas palavras o berço de vozes ficcionais e a fundação da construção de realidades paralelas é um prazer indescritível.

Porém, desta vez foi a realidade que me surpreendeu. Foi a vida, aquela que se desenrola com a normalidade dos dias, que se transformou.

Sucederam-se momentos de dor, de sacrifício e de medo, mas houve espaço para alegrias e sucessos. 

Esta intensidade vivida na primeira pessoa não se compadeceria de um regresso à ficção, por isso preencheu-me as páginas. Compilei o que escrevi naqueles dias e preenchi com os resquícios dessas horas que ainda me povoam o íntimo.

O livro intitula-se “Memórias que uma vacina não apaga” e é lançado dia 5 de Outubro, na UCI Cinemas do Arrábida Shopping. 

Louco por Ela

MUITO MAIS DO QUE UMA COMÉDIA ROMÂNTICA

Sou um ávido consumidor de histórias. Essa consistência em cruzar o real com a ficção, em tentar interpretá-los como duas faces da minha existência, têm-me proporcionado momentos deliciosos. 

O facto de ser eclético nas minhas escolhas proporciona outro feliz acontecimento: o cruzamento inesperado de interesses, a conexão de mundos que normalmente não se tocam. 

Louco por Ela é um desses acontecimentos. Produzido pela Netflix, realizado por Dani de la Orden e escrito por Natalia Durán e Eric Navarro, o filme retrata uma noite ardente, uma mulher que abandona o homem à porta do hotel, uma busca pelo número de telefone que os pode tornar mais próximos. Uma comédia romântica como qualquer outra, aparentemente.

Não é. É muito mais do que isso. É um tratado de consciencialização para a saúde mental.

Ainda que alguns espectadores possam não ter essa noção, para quem vive no mundo da saúde, de um modo geral, ou para quem convive com problemas de saúde mental, na primeira ou na terceira pessoa, o estigma sobre a doença mental é terrível. 

Vivemos num mundo que quase nos obriga ao sorriso, a uma certa normalidade, a viver segundo uma expectativa que, arrisco, pode nem sequer corresponder às nossas. Alguns optam por ser disruptivos, outros por se alinharem. 

As pessoas portadoras de doença mental não podem alinhar-se. Não podem escolher esconder a  sua doença, os desafios que ela implica, as dificuldades que enfrentam no quotidiano. Não deviam tampouco ser forçadas a fazê-lo. 

Algumas das conversas mais interessantes que tive na minha vida profissional foram com doentes psiquiátricos. Lembro-me de várias situações onde a premissa da conversa era superficial, mas a profundida que depois foi explorada me surpreendeu. Aprendo sempre com estas pessoas. 

Este filme sublinha esta última palavra. Pessoas. Não são só doentes, não são loucos, malucos ou desenquadrados. São pessoas. A personagem de Luis Zahera, o Saúl, é um exemplo perfeito disso. Esquizofrénico paranóide, uma expressão que podia defini-lo, é contudo um diagnóstico que fica muito além da pessoa que o transporta. Como sempre acontece com um diagnóstico. 

No interior do hospital psiquiátrico onde se desenrola parte do filme são abordadas várias patologias: o distúrbio maníaco-depressivo, conhecido como bipolaridade, a esquizofrenia paranóide, o comportamento obsessivo-compulsivo, a depressão…

Com um travo cómico que aligeira estas questões, e para o qual contribui o lado inesperado do Síndrome de Tourette de uma das personagens, somos levados numa viagem de amor entre duas pessoas. Isso chega. Não interessa se uma sofre duma doença psiquiátrica e outra não. Na verdade, sofrem as duas, porque amar é partilhar o sofrimento. 

Louco por Ela tem tudo para ser um filme ligeiro de domingo à tarde e, para muitos, os menos despertos para esta realidade da saúde mental, pode sê-lo.

Para quem queira perceber toda a dinâmica de ser portador de doença psiquiátrica, de estar integrado na sociedade, de não ser estigmatizado apesar de ser diferente, de não ser julgado por algo que não se consegue controlar, de não ter de se controlar algo apenas porque não é coincidente com um “cânone convencional”, enfim, de ser pessoa com todas as dimensões que isso possa implicar, é um filme importante. 

Diz o ditado que “de génio e de louco todos temos um pouco”. Afinal, como fica bem explícito neste filme, loucos são apenas os que gostam de rotular a loucura dos outros. Loucos somos nós, não eles. Mas, afinal, quem somos nós e quem são eles? A fronteira é tão ténue que não devia existir. Quando assim for, seremos todos apenas “nós”.

Ficha Técnica:

Loco por Ella || Crazy about Her 

Produção: Netflix

Realização: Dani de la Orden

Argumento: Natalia Durán, Eric Navarro

Elenco: Álvaro Cervantes, Susana Abaitua, Luis Zahera, Aixa Villagrán, Nil Cardoner, Paula Malia, Clara Segura

A minha noite de São João foi passada a trabalhar a 1600 km de distância.
Quando vi as fotografias da Ribeira vazia, despojada dos seus enfeites e festejos sanjoaninos, molharam-se-me os olhos.
Os profissionais de saúde não precisam de saudações, prémios vãos ou engodos sob a forma de carícias hipócritas; precisam de respeito.
Na noite do ano em que mais gente sai à rua, o Porto soube respeitar-nos.
Depois de ser despeitado por algumas notícias e acusado por alguns “mestres” da análise política, o grande Porto mostrou, mais uma vez, de que é feito um povo com pronúncia do Norte.

Cartoon de Marco de Angelis

Tenho vindo a assistir a uma nova noção que se criou nas redes sociais. Além da desvalorização da vida humana através da estatística, muitas vozes (e artigos) se levantam contra o confinamento.

Muitos profissionais de saúde partilham dessa opinião, infundada como já demonstrei em vários textos e vários vídeos. Nenhum desses profissionais de saúde que vi defenderem a economia antes da vida são profissionais de Cuidados Intensivos. Muito provavelmente, não viram directamente os efeitos do novo coronavírus. Não tiveram ninguém próximo que morresse. Não sofreram horas intermináveis de trabalho e as marcas psicológicas que daí advêm. Não passaram (nem passam) noites sem dormir.

Não percebem o valor de uma vida, talvez. Não percebem que a economia mundial não poderia passar impune a uma pandemia e, talvez por isso, não enxergam a vantagem do afastamento social e dos métodos de confinamento.

Só entendem números e adoram falar da Suécia como um estado exemplar no combate à Covid-19. Então, se gostam de números puros e duros, é números que lhes podemos dar.

Portugal e a Suécia tem aproximadamente a mesma população, na ordem dos 10 milhões. Portugal procedeu ao confinamento através de um Estado de Emergência e a Suécia decidiu não confinar ninguém. O país nórdico tem metade da média europeia de dívida pública criada devido à pandemia, segundo noticiado pela televisão suíça. Talvez fosse esse o objetivo, independentemente das consequências.

Segundo o Worldometers, Portugal ontem somava 32.895 casos e a Suécia 38.589. Nesse mesmo dia, Portugal tinha um aumento de 195 casos e a Suécia de 775. Hoje, Portugal aumentou 366 e a Suécia 2214. 

Ainda não chega? Muito bem, aqui vai. Portugal tem um número total de mortos de 1447. Na Suécia morreram 4542 pessoas. Isto significa que a tão elogiada política de não confinamento da Suécia os colocou no 7º lugar dos países com mais mortes por milhão de habitantes, ao passo que Portugal ocupa o 23º lugar. 

É provável que, mesmo assim, estes números não cheguem. Aqueles que preferem a estatística às pessoas e que se escudam na desculpa da crise económica para se manifestarem contra os diferentes programas de confinamento ao redor do Mundo, incluindo em Portugal, não viveram a mesma realidade que os outros. Aparentemente, a pandemia passou por eles de maneira diferente.

Um dia isto acaba e não precisaremos de nos confinar de novo por causa deste vírus. Estaremos preparados para outra realidade como esta, caso tal nos venha a acontecer. 

Nessa mesma altura, o único confinamento a que estes analistas estarão dispostos é ao da sua inteligência. Essa continuará confinada, como está e tem estado até aqui. 

Fernando Miguel Santos

Poemas sem Algemas #2

Passam Montanhas

Fluidificam-se dois corpos na noite escura
Sem que nenhum saiba o que procura
Revestem-se da nudez envergonhada
E ambos não sabem de nada

Dão passos largos para grandes rebeliões
Transformam-se em corajosas decisões
Queimam-se no frio que desconhecem
Mas o calor de cada noite não esquecem

Seguram-se ao que lhes é mais sagrado
Mas não há santo nem altar a ser lembrado
Querem apenas vigorar vencendo a dor
Sabendo que à montanha chamam amor

Fernando Miguel Santos

Poemas sem Algemas #1

Poesia-Armadura

A poesia
Mais do que conversa de sala
É colete à prova de bala

A poesia
Mais do que mera miragem
É da palavra blindagem

A poesia
Mais do que uma ameaça
É do peito a melhor couraça

A poesia
Mais do que insurgência
É o elmo da inteligência

A poesia
Mais do que casa segura
É do corpo justa armadura

A poesia
Seja acre, suja ou terna
É eterna

Fernando Miguel Santos

Poemas de Avião #1

Pedestais

Somos todos vulneráveis
Às declarações amáveis
Que oferecem altitude
Nuvens nos pés
Visão sem viés
Túnel que nos ilude

Ícaro também lá chegou
E só depois se provou
Que tinha a culpa toda
Cobertura de inocência
Manto de inconsciência
Ou simples efeito de moda

Mas somos roupa estendida
Engelhada ou esquecida
À espera de mais um uso
Repousamos nas nossas gavetas
Mamamos nas mesmas tetas
Desejos em fluxo profuso

Já me fizeram um pedestal
E cheguei a sentir-me mal
Quando me quiseram descer
As pálpebras ficam abertas
Erradas passam a certas
E deixas de te debater

Tudo queremos à farta
Vamos até à espargata
Dum pé em todos os caminhos
Sem a córnea nublada
Atenção mais aguçada
Preferimo-nos sozinhos

Somos nós contra ideais
Matamos as mulheres fatais
E enterramos os heróis
Os despojos abandonamos
Vestidos de nudez avançamos
Somos apenas faróis

Já não somos tudo para todos
Desviamo-nos dos engodos
Não agradamos os demais
Dá-se uma revolução
E chegamos à conclusão:
Que se fodam os pedestais.

Fernando Miguel Santos

As pessoas são o mais importante

Este texto não consiste numa refutação aos curricula de quem cito. Cada um faz o seu caminho e é protagonista da sua vida da forma que mais lhe aprouver. Eu também o faço, logicamente.

Porém, o rigor deve estar sempre presente em quem se afirma especialista. Caso exista um erro, ao qual todos, como humanos, estamos expostos, exige-se uma correcção.

André Dias, informático com doutoramento em modelação de doenças pulmonares, afirma que o confinamento é exagerado. Justifica esta opinião com o caso da Suécia, que decidiu não proceder ao lockdown, e comparando o coronavírus a outros vírus.

O caso da Suécia, ainda que peculiar, tem vários factores que podem levar a conclusões precipitadas. Vários notícias apontam para uma quebra económica da Suécia pela diminuição de procura de bens e serviços pela população, ou seja, apesar do confinamento não ser decretado foi efectivamente concretizado por alguns suecos. Acresce ainda o facto de haver diferenças culturais de convivência entre os povo nórdicos e os povos latinos. Na Suíça, entre cantões, essa mesma diferença pode ter influenciado o menor número de casos nos cantões germânicos, como também apontou Alain Berset, Conselheiro Federal e Ministro da Saúde.

Em suma, não se pode concluir tão facilmente que o não confinamento da Suécia teve os mesmos resultados que o confinamento português. É demasiado simplista.

Quanto à comparação com outros vírus, André Dias tem razão em afirmar que este não é o pior vírus que podemos encontrar e que outras doenças são mais perigosas. Daí a concluir que não devemos ser cautelosos e que devemos proceder a um término imediato do confinamento vai uma distância enorme. Uma doença, seja ela qual for, que mate não deve ser descurada nem pode ser avaliada apenas do ponto de vista estatístico. Afinal, estamos a falar de pessoas.

Em entrevista telefónica ao observador, André Dias disse ainda que o coronavírus pode voltar como uma estirpe da gripe. Sendo que o Sars-Cov-2 é da família dos coronavírus e a gripe é a doença provocada pela família influenzae nota-se uma falta de rigor.

Por último, a mistura do ataque político das suas afirmações tolda a análise que efectuou, que por sua vez foi refutada por outros autores com o mesmo nível de competências matemáticas.

José Aires Pereira é pediatra. É elogiado frequentemente pela sua competência profissional. Nas suas redes sociais a informação que difunde é partilhada amplamente. Numa dessas publicações, Aires Pereira tem um texto em associação com um vídeo sobre autópsias realizadas em Itália. Nesse texto, afirma peremptoriamente que a Covid-19 não é uma pneumonia, mas sim uma trombose generalizada.

A afirmação é falsa, porque a consequência mais grave que se presencia em Cuidados Intensivos com estes doentes é a ARDS (acute respiratory distress syndrome), uma inflamação pulmonar extremamente grave, cujos critérios incluem, entre outros, a pneumonia bilateral.

A maioria dos doentes em Cuidados Intensivos tem administração contínua de heparina para evitar problemas trombóticos e o mesmo acontece nesta nova doença. Embora exista a necessidade de administrar uma dose ligeiramente mais elevada, não é caso para dizer que a doença é apenas isso e não tudo o resto que ela acarreta.

No seu Facebook, o próprio verificador de factos da rede social declara que dois desses posts são informações falsas, ainda que isso não tenha induzido à retirada das publicações que continuam a ser partilhadas.

Numa outra publicação, Aires Pereira declara ter escrito missivas aos responsáveis políticos em Portugal para a aplicação da hidroxicloroquina como tratamento para a Covid-19. Baseia-se, provavelmente, nos estudos observacionais de Didier Raoult, infecciologista francês célebre. No entanto, este último fez um trabalho que foge à medicina baseada em evidência. O estudo não é randomizado ou controlado e baseia-se na observação de um grupo pequeno de doentes.

Perante isto, concluo que cada vez é mais difícil para a população em geral, normalmente leiga no que toca a estas áreas, encontrar informação fidedigna. Contudo, não me parece correcto validar uma opinião pelos trabalhos anteriores se esta se confirmar errónea. Por isso, este tipo de partilhas deve ser evitada ou corremos o risco de nos transformarmos num tablóide gigante que veicula ainda mais pânico do que o próprio vírus.

Em última análise, o importante são as pessoas. Independentemente da forma de tratamento que vier a ser descoberta, cabe-nos evitar a disseminação da doença. Para isso, temos de estar informados. Bem informados.

Foto 1 Maio

Depois de beijar a cruz, o Dia do Trabalhador.

Tendo a ser alguém moderado na manifestação das minhas convicções, por isso, qualquer expressão de fundamentalismo – ou fanatismo, como quiserem – causa-me aversão.

A questão não é a importância do dia. Isso dirá respeito às convicções de cada um e tem a importância que comummente  têm os feriados nacionais. A questão será sempre o limitado sentido de oportunidade e a inconsciência.

Além da aversão que me causa, sinto-me desiludido com a natureza humana. As prioridades de alguns encontram-se invertidas. É mais importante assinalar uma data que se manterá pelos anos vindouros do que preservar a integridade física e as vidas daqueles que podem não estar cá daqui a quinze dias.

Manifesto-me sempre contra os extremistas que disseminam informações falsas e demagógicas. Neste caso, a informação transmitida é que o respeito pelos profissionais de saúde e por todos os que como eles arriscam as suas vidas está depende de motivações ideológicas.

No que toca ao fundamentalismo não há direita nem esquerda. Quanto à inconsciência também não. Fanatismo é um fenómeno que auto-alimenta e que potencia de um extremo ao outro. Um fanático além de se sentir reforçado ainda oferece um argumento para outro fanático que com ele concorde ou que dele discorde diametralmente para agudizar este tipo de atitudes. Esse efeito de avalanche pode ainda levar os mais incautos a radicalizarem as suas opiniões. Nessa altura, em vez de um jardim, serão os serviços de cuidados de cuidados intensivos a transbordar de infectados e as redes sociais repletas de impropérios e manifestações de limitaçao intelectual.

Agrupar grupos imensos de pessoas em autocarros e depois tirar uma fotografia quando estão todos posicionados com uma distância de dois metros é falacioso. Também é estúpido porque ninguém pode acreditar que a distância de segurança foi cumprida a cada momento.

Se até agora Portugal tinha sido um bom exemplo de contenção que dizer desta manifestação em pleno Estado de Emergência? Que dizer dos enfermeiros que exibiram cartazes de reivindicações neste triste cenário enquanto os seus colegas enfrentam quartos de isolamento e doentes infectados? Que dizer sobre a festa do trabalhador que não respeita aqueles que mais trabalham neste momento?

Chego à conclusão que antes de aconselhar o uso de máscara ou viseira devíamos exigir que tirem as palas dos olhos.

Fernando Miguel Santos

1933, Alemanha. Um político critica a República dizendo que é preciso fundar uma nova.

2020, Portugal. Um político critica a República dizendo que é preciso fundar uma nova.

1933, Alemanha. Depois de ter liderado um partido com poucos militantes e com um nome sensacionalista, um político faz crescer a base de apoiantes graças a dizer, não a verdade, mas o que os alemães queriam ouvir.

2020, Portugal. Depois de ter criado um partido com poucos militantes e com um nome sensacionalista, um político faz crescer a base de apoiantes graças a dizer, não a verdade, mas o que os portugueses queriam ouvir.

1933, Alemanha. A propanga política tem efeito nas mentes mais susceptíveis que começam a acreditar que descredibilizar o sistema é ser diferente. Pelos menos muda-se, terão pensado alguns. Este homem diz as verdades, terão dito outros. Ele veio para salvar-nos da corrupção e do regime, terão afirmado os demais.

2020, Portugal. A propanga política tem efeito nas mentes mais susceptíveis que começam a acreditar que descredibilizar o sistema é ser diferente. Pelos menos muda-se, terão pensado alguns. Este homem diz as verdades, terão dito outros. Ele veio para salvar-nos da corrupção e do regime, terão afirmado os demais.

1933, Alemanha. Um político usa uma crise económica e de valores para se aproveitar da fragilidade de toda uma nação para crescer.

2020, Portugal. Um político usa uma crise económica, sanitária e de valores para se aproveitar da fragilidade de toda uma nação para crescer.

1933, Alemanha. Um partido usa a liberdade democrática para discriminar minorias étnicas.

2020, Portugal. Um partido usa a liberdade democrática para discriminar minorias étnicas.

A História é útil se não for esquecida.

Hitler foi eleito democraticamente, fundou uma “nova república” a que chamou III Reich e fez os corruptos que o precederam parecerem meninos de coro. Goebbels teria usado o Facebook e o YouTube com frases polémicas e teria adorado a notoriedade de Hitler como comentador de futebol.

Hitler usou imensas verdades sobre a crise do seu país para abrir caminho à maior mentira política da História da Humanidade. Começou, como gostava de se gabar, com sete militantes. Sete. Não enchiam as cervejarias por onde disseminavam o seu ódio primordial.

Usava o discurso das minorias supostamente beneficiadas (os judeus, principalmente) para criar um inimigo público. Mein Kempf, A Minha Luta, é um livro que através de algumas verdades esconde uma intenção de domínio e de desprezo execrável pela vida humana.

Tudo isto poderia constar de um manual sobre como criar uma ditadura.

A Leste da Europa temos ditaduras de esquerda. Do outro lado do Atlântico dois exemplos de nacionalismo de direita. Na Europa os partidos extremistas começam a ter assento parlamentar.

Como numa contagiante pandemia, tudo começa numa pessoa, passando pelos radicais pioneiros que a levantam em ombros quais Messias, chegando aos incautos e crédulos que só querem ter fé numa vida melhor.

Vamos mesmo deixar que isto volte a acontecer diante dos nossos olhos?