Keith Richards e Anitta

Dois exemplos. Duas surpresas. O amor pelo processo criativo e a ética de trabalho. Dois artigos para ler: Keith Richards e o rock sentimental e Anitta e a ética de trabalho.

 

Leia os últimos textos de Fernando Miguel Santos nos blogs Fiel Depositário e Pista de Aterragem.

Escrever

Não me lembro de um dia da minha vida em que não tenha pensado em escrever. Mesmo nos dias em que não o faço penso nisso. Quando me sinto bem adoro escrever sobre isso. Quando me sinto menos bem alivia-me relatar o que sinto.

As palavras têm mais poder do que armas. Mudam o mundo, formam pessoas, fazem de nós mais humanos do que somos. Escrever, seja o que for, é respirar.

Gosto de respirar através do Fiel Depositário, mais pessoal e íntimo, e do Pista de Aterragem, mais fresco e mais profissional. Este site é a ponte entre nós, o ponto de encontro, a encruzilhada. É onde se encontram as minhas palavras, mas também as actividades, os projectos e as aventuras.

Publicar um livro é como respirar fundo. O ar é diferente, mais duradouro, mais saboroso, mais difícil de encontrar mas mais fácil de absorver. Assim foi com o Aldeia de Luz, que faz parte de mim através dos pensamentos e sentimentos que ali estão plasmados. No Dois Maços as palavras foram formas, simetrias, jogos e afirmação. Quando o Natal Quiser é o futuro digital, a exploração da loucura, a liberdade expressiva do inconsciente menos censurado.

Se escrever é como respirar, ler é como comer. Se a cada inspiração e expiração minha tiverem o prazer de degustar o resultado terão encontrado a fonte da felicidade de um autor.

Enfermagem: a (des)valorização

Publicado no P3, Jornal Público, a 13 de Junho de 2012.

O que levou a Enfermagem ao descrédito, ao desemprego e ao estatuto social reduzido que hoje, por vezes, lhe conotam? A Lei da oferta e da procura

O dr. Manuel Pizarro, à data Secretário de Estado da Saúde, caracterizou os enfermeiros, na mesa de um colóquio a que tive oportunidade de presenciar, como a “espinha dorsal do Serviço Nacional de Saúde”. 

Não se trata de uma valorização excessiva, trata-se da realidade, dado o papel do enfermeiro, a sua presença em número nos hospitais e ainda a mediação que pratica entre as várias disciplinas e respectivos técnicos que se cruzam nos cuidados de saúde.

Perante factos tão reveladores da preponderância da Enfermagem, o que levou esta ao descrédito, ao desemprego e ao estatuto social reduzido que hoje, por vezes, lhe conotam? A Lei da oferta e da procura.

Tempos houve em que os enfermeiros podiam escolher o local onde queriam iniciar a sua carreira, o número de empregos que desejavam acumular, o local para onde gostariam de mudar ao fim de alguns anos de experiência. Chegou a abertura de cursos em catadupa e eis que, a cada ano, são formados entre três a quatro mil enfermeiros, segundo referência de Germano Couto, o actual bastonário da Ordem.

E agora? Não podendo nem devendo tratar os enfermeiros como frutos ou cereais, destruídos por esse mundo fora em prol da competitividade dos preços, como resolver a questão? Queremos ser um país exportador de enfermeiros? Ou desejamos criar uma rede de cuidadores que potencie a qualidade dos cuidados a curto, médio e longo prazo?

Compensaria, por tudo isto, estancar totalmente a leccionação de Enfermagem? Questões que se colocam, que se desejam ver resolvidas mas que, apesar de tudo, ainda não estão sequer na agenda nacional.

Se os enfermeiros são a espinha dorsal dos cuidados de saúde, então este país será aquele utente negligente que, desesperado com dores lombares, só recorre a cuidados especializados quando nem a cirurgia é solução. Antes disso, resolveu-se com panaceias e assobios para o ar…

Fernando Miguel Santos