A descida íngreme que nos recebe, típica do Gerês, deixa perceber apenas parte da beleza da paisagem, mostrando primeiro os edifícios arrojados cuja forma desafia a nossa percepção.
Tinham-nos ligado de manhã a informar que o check-in estaria disponível mais cedo, simpatia que foi reforçada por altura da recepção. Um dos funcionários levou-nos até ao quarto, ajudando-nos a transportar as malas. Nesse percurso pudemos apreciar ainda melhor a estrutura do que nos rodeava.
O empreendimento é constituído por vários edifícios virados para o Cávado. Há quartos mais elevados, alguns com vista privilegiada, outros com varanda, alguns junto às piscinas.
Menos de dez passos nos separavam da orla da água. Fria, que ainda é inverno, e contrastante com a outra, na piscina coberta, que tem a temperatura ideal para refastelar a alma em pensamentos positivos.
Há pormenores das piscinas que merecem ser destacados. A área pouco profunda dedicada às crianças faz parte da piscina exterior e o jacuzzi está inserido na piscina coberta, evitando a perda de calor de viajar de um lado para outro. Dois botões são suficientes para accionar as bolhas relaxantes e duas braçadas são suficientes para alcançar a área onde ganham vida.



O nosso quarto tinha uma decoração moderna e estava equipado com microondas e acessórios de cozinha, localizados num espaço extra. A casa de banho era bem equipada e espaçosa algo importante e muitas vezes esquecido em alguns espaços hoteleiros.
Jantámos sempre no Sabores e Vinhos, o restaurante do hotel, que nos surpreendeu com uma carta equilibrada, preços razoáveis e, principalmente, um serviço de excelência que nos provou mais uma vez a versatilidade dos funcionários.
Para além da paisagem que rodeia o Agrinho Suites & Spa e que estende a nossa vista até ao Cávado, onde um pequeno cais é cenário útil à reflexão ou à fotografia, os equipamentos disponíveis aumentam o conforto dos clientes, como um spa onde pudemos usufruir de uma massagem de pedras quentes e de uma massagem de aromas do Gerês.



Se esta descrição seria já suficiente para nos transportar até ao mundo dos sonhos – e que bem se sonha naquela cama confortável – foi um momento menos positivo que nos mostrou a verdadeira essência de quem trabalha naquele espaço.
Aconteceu depois do jantar de dia 14, em que celebrámos os eternos namorados que somos. No trajecto até ao quarto, tive um pequeno acidente. A antiga escadaria traiu-me o passo. Senti uma dor lancinante e, se não fosse a Filipa, teria caído de forma perigosa. Não só me apoiou como correu a pedir ajuda. Os dois funcionários que chegaram foram inexcedíveis na ajuda que me prestaram. A Daniela vinha já munida de pomada anti-inflamatória, palpou-me o pé para perceber a gravidade e ofereceu-se para conduzir o nosso carro até ao Hospital de Braga se necessário fosse. Decidi ir até ao quarto, fazer gelo, avaliar a dor mais tarde e perceber se seria necessário. Foi então que o Francisco colocou o meu braço ao redor dos seus ombros e me levou até ao quarto, só me deixando quando sentado na cama. Nenhuma palavra se equipara ao conforto que senti por estar rodeado destas pessoas. As consequências deste pequeno acidente revelaram-se menos graves do que a dor parecia indiciar, mas a atitude deles ficará para sempre na minha memória.
É assim que nascem as melhores histórias. Um cenário extraordinário, uma ou outra vicissitude e um fim que nos deixa algo para contar. A dor e as suas réplicas, mais cedo ou mais tarde, vão ser esquecidas. A história não.




